CÓD.N02-S05-11 ONLINE

CIÊNCIA NO YOUTUBE - UMA ANÁLISE DA ABRANGÊNCIA DOS CANAIS DE CIÊNCIA BRASILEIROS NO MAIOR ECOSSISTEMA DE VÍDEOS ONLINE DO MUNDO

Na era da hiperconectividade e do uso da internet como ferramenta de engajamento social, a comunicação científica tem somado a seus ‘tradicionais’ canais ‘novas’ plataformas de disseminação da informação – a exemplo de repositórios online, blogs, periódicos digitais e redes sociais, com ou sem viés acadêmico (ResearchGate, Academia, Twitter, Facebook, entre outras). Nesse contexto social, atrelado fortemente à imagem e à interação, encontra-se a plataforma de vídeos YouTube, segundo endereço eletrônico mais acessado no mundo e com conteúdo disponível em 80 idiomas diferentes (Alexa, 2020) – e a expectativa é de que a plataforma seja responsável por cerca de 82% do tráfego da Internet até o ano de 2021.

A diversidade de conteúdos difundidos nessa plataforma inclui, entre outros tantos, os de caráter científico. Assim, as características interativas e multidimensionais dessa ferramenta têm ampliado as possibilidades de popularização da ciência. Com base nesse contexto, este trabalho tem como objetivo analisar a abrangência da Comunicação em Ciência a partir dos canais do YouTube, no Brasil, de forma a ressaltar a importância da ocupação dessa plataforma digital pela comunidade científica. A escolha do País sul-americano se dá porque o Brasil é o segundo maior consumidor de conteúdo via YouTube do mundo.

No percurso metodológico, primeiramente foi realizada uma pesquisa bibliográfica exploratória que superou a dicotomia terminológica da comunicação em ciência e discorreu sobre os chamados “modelo do défice cognitivo” e “modelo dialógico ou interativo”, além de abordar os quatro estágios em comunicação científica apontados nos estudos de Bucchi (2008). Além disso foram analisados dezessete canais de divulgação em ciência no YouTube brasileiro – todos referendados pelo Selo Science Vlogs Brasil (SVBR), anunciada como a maior rede de iniciativas de divulgação científica brasileira. A análise visou a identificação do perfil dos porta-vozes da ciência, temporalidade e avanço da audiência dos canais, além da caracterização dos estágios em Comunicação Científica predominantes na amostra.

Os resultados apontam para a predominância masculina em tela, alta incidência de comunicadores com alguma experiência em pesquisa acadêmica formal, linguagem científica aproximada a temas da atualidade e de impacto social, iniciativas de ciência cidadã e crescimento de audiência em todos os canais analisados. O levantamento aponta, também, que todas as abordagens adotadas pelos comunicadores analisados transitam entre o nível Pedagógico e o Popular, a depender do formato de apresentação adotado. Isso porque, além de se utilizarem de trabalhos já consolidados, publicados, revisados por pares e baseados na perspectiva histórica para compor seus roteiros (nível Pedagógico), esses divulgadores também tomam por empréstimo trabalhos noticiados sobre ciência na imprensa, dentro e fora do Brasil, como ponto de partida de suas falas (nível Popular).

Salienta-se que, contemporaneamente, ao continuum de Bucchi a comunicação em ciência no YouTube somaria um nível ainda em construção, pois não raro os apresentadores se utilizam de trabalhos acadêmicos em andamento ou eles mesmos elaboram análises próprias de dados ainda não revisados por pares para fortalecer suas teses e envolver a audiência. Uma abordagem que merece atenção em seus desdobramentos.

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Ciência no YouTube Comunicação Científica Popularização da Ciência Science Vlogs Brasil

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Hay 6 comentarios en esta ponencia

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      Adilson Rodrigues da Nóbrega

      Comentó el 10/12/2020 a las 16:49:35

      Prezado Henrique, tenho observado, no Brasil, um maior interesse em canais diversos de divulgação científica (incluindo YouTube), especialmente no contexto da pandemia da Covid-19, onde as pessoas buscam informações confiáveis para prevenção. Ao mesmo tempo, a plataforma abriga diversos conteúdos de desinformação sobre a Ciência, com alcance semelhante. Como você observa essas tentativas de aproximação com a sociedade em geral, por meio de novos canais e linguagens de divulgação científica, para o combate à desinformação no país? Saudações.

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        Henrique E. C. França

        Comentó el 11/12/2020 a las 13:16:41

        Olá, Adilson. Obrigado por seu comentário. Você tem toda razão em observar esse dilema entre informação científica e desinformação com "pesos" tão semelhantes - o que é mesmo uma preocupação. Creio que, no final das contas, isso cabe muito à audiência, a escolha que as pessoas fazem sobre quem seguir, que conteúdo querem consumir. Porém, para que essa seja uma "luta" justa, é preciso que os comunicadores em ciência entendam que é preciso cada vez mais falar a linguagem adequada a uma audiência diversa. Como está no trabalho, não se pode usar os níveis ultra ou interespecializado. Também não se deve subestimar a audiência, pensando que é uma forma "menos culta" de comunicar. Simplesmente é uma outra forma, um outro desafio: o de comunicar ciência de forma direta, séria mas leve, didática e lúdica, utilizando os elementos do audiovisual. Felizmente temos tido alguns bons resultados, nesse processo - como os apresentados pelo Átila Iamarino, por exemplo. Esse é o caminho.

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      Javier Almela-Baeza

      Comentó el 10/12/2020 a las 11:13:41

      Estimado Henrique

      Acho a vossa investigação mais interessante. Fiz uma análise sobre a utilização de instituições científicas em Espanha e há um conceito que gostaria de partilhar convosco e conhecer a vossa opinião, são os comentários no YouTube. Gostaria de saber qual é a vossa opinião sobre como a instituição deve interagir através dos comentários com os utilizadores e assim promover a componente de popularização científica. Gostaria também de saber a vossa opinião sobre a razão pela qual os canais das instituições científicas bloqueiam a possibilidade de fazer comentários aos utilizadores.

      Parabéns pelo seu trabalho

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        Henrique E. C. França

        Comentó el 11/12/2020 a las 13:05:24

        Olá, Javier. Muito obrigado pela interlocução. De fato, os comentários têm dois vieses - um, positivo, que pode (e assim o faz) abrir um canal de interação imediato com a audiência, inclusive apontando acréscimos ou equívocos do que está sendo apresentado. Por outro lado, os comentários também podem enfraquecer o esforço em divulgar ciência quando são usados de forma negacionista simplesmente. Creio que por isso algumas instituições silenciam seus comentários - o que não acho coerente, pois se há disposição em tornar o conteúdo publicamente divulgado também há que se permitir respostas e argumentações. Uma saída, trabalhosa, seria mediar esses conteúdos com regras sobre respeito e trato polido na argumentação. Ainda assim, sabemos, não há garantias - e nem deve haver. São os ônus e bônus da exposição midiática da ciência.

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      Aythami Soto Rodriguez

      Comentó el 09/12/2020 a las 15:15:29

      Saludos!

      Análise interessante. Como criador de conteúdo, desconhecia a força que a comunidade brasileira tem no YouTube; Vou considerar que meus futuros vídeos terão legendas em português.

      Eu gostaria de perguntar, dentro dessa comunidade existem canais de divulgação com apoio institucional ou são todas iniciativas pessoais? Outra coisa que também vejo é que acho curioso que comunidades irmãs, como a nossa, tenham a mesma carência de conteúdos informativos sobre química. Alguma ideia do porquê disso?

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        Henrique E. C. França

        Comentó el 11/12/2020 a las 13:11:59

        Olá, Aythami. Obrigado por seu comentário. Perfeita essa iniciativa de legendar seus vídeos em português - certamente isso abrirá outros caminhos para o vosso canal, que é muito bom! Sobre suas questões: dos canais analisados nenhum deles tem apoio institucional declarado. Alguns utilizam apoio de anunciantes (como Cambly, por exemplo) e os com maior audiência acabam ganhando algo do próprio YouTube - além de lançarem produtos próprios, como é o caso do Manual do Mundo e do Neurovox, que trazem livros em seus catálogos.
        Sobre a carência de conteúdos informativos em química, você tem razão. Creio que há poucos professores/pesquisadores, especialmente das chamadas ciências "duras", predispostos ou orientados à comunicação da ciência de forma mais leve, lúdica, sem a linguagem formal. Esse é um desafio, porque o professor é de forma natural um comunicador. Porém, comunicar em sala e comunicar a milhares, diante de uma câmera, para muitos é assustador - além da super exposição, é preciso dominar algumas posturas, entonação, saber compor um roteiro minimamente interessante. Mas acredito que isso está mudando lentamente.

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