CÓD.N02-S03-04 ONLINE

Jornalistas Equilibristas: práticas profissionais entre sustentabilidade, financiamento e gestão das relações online

A atividade jornalística tem atravessado profundas transformações nas últimas duas décadas, cujos fatores de mudança influenciam simultaneamente a configuração do panorama global e de cenários nacionais (DNR, 2018, 2019, 2020; Crespo et al., 2020) no que toca a dimensão de gestão das organizações e o exercício da prática profissional.

A platformização (Van Dijck, 2019), como novo paradigma económico, tecnológico e social, permite enquadrar a evolução do conceito de media entrepreneruship (Napoli, 2003; Dal Zotto e Omidi, 2020) e o atual contexto em que se estruturam os processos e as atividades dos media makers (Deuze e Pregner, 2019). Os projetos jornalísticos nativos digitais são objeto de análises orientadas à definição de oportunidades, tendências e boas práticas de co-criação de valor em ambiente multiplataforma (Cha, 2020).

A literatura aponta inúmeros desafios de caracter estratégico e operacional relacionados com variáveis contextuais (Chan-Olmsted, 2015; Breiner, 2020) e opções implementadas para assegurar a económica sustentabilidade e a qualidade do projeto (Cardoso et al., 2017). Todavia são ainda escassos os estudos longitudinais que permitam acompanhar a evolução das escolhas e as suas consequências no decorrer da vida de star-ups de jornalismo digital que recorreram ao crowdfunding e outros mecanismos colaborativos online no panorama ibérico.

Este projeto pretende colmatar esta lacuna, mediante uma análise da variação dos modelos de negócio ao longo dos últimos dois anos, realizando 1) observação não participada das experiências da redação e 2) levantamento de dados de campanhas de angariação de fundos de um conjunto de projetos jornalísticos em Portugal. Levanta-se a hipótese da existência de um eixo estratégico entre as formas de gestão do relacionamento com as audiências e os modelos de monetização selecionados ao longo do ciclo de vida dos projetos, que contribui a definir o posicionamento da marca.

Considerando a taxonomia de plataformas de negócio digitais (Ramaswamy et al., 2020) e as fontes de monetização (incluindo redes sociais e plataformas de fundraising), distinguimos entre adoção de sistemas externos e próprios, avançamos uma sistematização da variedade das práticas de financiamento online adoptadas e comparamos orientação estratégica, custos de implementação, efeitos nas trajetórias editoriais e profissionais. Concluímos que a missão e a qualidade do projetos jornalísticos representam um marco distintivo das estratégias editoriais e não retorno financeiro esperado (valorização por parte dos segmentos alvo), todavia na implementação de opções estratégicas de social media e community management a capacidade e flexibilidade de operação dos membros da equipa releva-se em muitos casos o elemento de diferenciação.

Palabras clave

business model crowdfunding estrategia comunicacional start-up jornalistica

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caterina foa

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