CÓD.N05-S04-13-S05-21 ONLINE

Tradução e ensino: possibilidades e didatização de produtos do Google Tradutor

Na atualidade, constata-se amplamente no âmbito do ensino superior, uma conjuntura de uso frequente e, por vezes, velado ou dissimulado de recursos automáticos de tradução, como o Google Tradutor, por alunos das mais diversas áreas do conhecimento. Esta prática muito recorrente justifica-se pela rapidez, gratuidade e avanços qualitativos que os produtos da tradução automática vêm alcançando no cenário contemporâneo. Entretanto, decorrem deste uso exacerbado, produtos de níveis muito variados de qualidade, os quais modificam-se de acordo com o par linguístico em questão, com o gênero, escopo, tipologia textual e estilo discursivo do texto fonte. No contexto das licenciaturas em línguas estrangeiras, observando-se o fenômeno a partir da ótica docente, verifica-se uma postura “ainda” repressiva com relação à utilização dos recursos automáticos de tradução, por razões éticas e justificáveis no âmbito da formação, mas frágeis, se considerarmos o potencial pedagógico e de reflexão que a ferramenta pode suscitar sobre questões relativas à complexidade do uso da linguagem e dos discursos.  Esta comunicação tem por  objetivo problematizar o uso da tradução automática como efetivo recurso pedagógico nas aulas de língua estrangeira. A pesquisa  ilumina as potencialidades implícitas no seu uso e propõe a humanização-didatização da ferramenta Google Tradutor. Partimos das seguintes hipóteses: (i) a ferramenta pode ser de valioso auxílio ao docente se explorada de forma sistematizada, com objetivos pedagógicos claros e bem definidos; (ii) a consciência linguística e a competência bilíngue podem ser amplamente utilizadas na implementação de habilidades pelos discentes por meio de práticas de pós edição.  Metodologicamente, propomos uma análise crítico-avaliativa da qualidade da tradução produzida pelo Google Tradutor (GT), considerando o par linguístico português-inglês e o emprego de práticas pedagógicas em fases que antecedem e sucedem a experiência do uso da ferramenta, com foco em objetivos, que corroboram o desenvolvimento de competências nos currículos dos cursos de Língua Inglesa considerando-se a competência bilíngue (PACTE, 2003) e a consciência linguística  (DONMALL, 1991; DUARTE, 2008; FAIRCLOUGH, 1992). O corpus constituiu-se de três excertos dos gêneros poesia, bula de remédio e lenda, obtidos do domínio público e traduzidos automaticamente pelo GT. As análises realizadas apontaram para algumas limitações da ferramenta, discrepâncias linguísticas do produto tradutório, manifestas nos componentes: lexical, sintático, semântico e pragmático que impactaram na qualidade do produto textual (KOCH, 1999; TEIXEIRA, 2018). As análises sugerem também, amplas possibilidades pedagógicas de desenvolvimento de competências linguísticas. Os resultados confirmaram as hipóteses de partida, entretanto, as possibilidades formativas revelaram-se muito mais diversificadas do que inicialmente projetado em função das testagens e fragilidades detectadas nos produtos. A título de exemplificação, e considerando as diferentes tipologias textuais, foram verificadas perdas estéticas, distorções em relação ao referente anafórico, ausência de inversões sintáticas,  falhas nas concordâncias de número e  inconsistências terminológicas. Concluímos que a utilização do GT como recurso de ensino-aprendizagem reforça a interface ensino e tradução. Consideramos produtiva a ação humana no processo de tradução automática, impondo-lhe adequações metodológicas, sistematizadas e monitoradas para corroborar a implementação de competências previstas no currículo e o fomento da consciência sobre a complexidade do uso da língua.

 

Palabras clave

Consciência linguística pós-edição Tradução automática

Firmantes

Los autores de la ponencia

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Silvia Helena Benchimol Barros

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